PIRACICABA, QUARTA-FEIRA, 26 DE ABRIL DE 2017 Aumentar tamanho da letra
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Nicolau Pereira de Campos Vergueiro



Nicolau Pereira de Campos Vergueiro
Portugal
Empresário
20/12/1778
18/09/1859

	Nascido em Portugal em 20/12/1778, falecido no Rio de Janeiro em 18/09/1859. Prestou exames do Real Colégio de Artes da Universidade de Coimbra. Devidamente habilitado, ingressou em 1796 no curso de letras jurídicas da mesma universidade, doutorando-se em leis em 11/07/1801. Emigrou para o Brasil em 1802, fixando-se em São Paulo, no ano seguinte, onde se casou em 1804. Residiu na rua Direita, nº 14 e tornou-se proprietário de duas casas na mesma rua, nos nºs 29,31 e 33. 

	Dedicou-se à advocacia na capital paulista até 1815 e foi juiz de sesmarias a partir de 1811. Em 1815-16 mudou-se para Piracicaba, a fim de dirigir os engenhos por ele fundados, em sociedade com o brigadeiro Luiz Antonio de Sousa. Em 1813, nomeado vereador em São Paulo por d. João, então príncipe regente, prestou relevantes serviços à capital, um dos quais foi a organização do arquivo municipal no ano aqui mencionado. 

	Atraído pela vida agrícola, decidiu seguir para os sertões de Piracicaba (1807), onde se tornou dono de uma sesmaria, inicialmente em sociedade com seu sogro José de Andrade Vasconcellos. Converteu-se depois em seu único dono e fundou o engenho do Limoeiro, voltando-se assim, para a cultura de cana e o fabrico de açúcar. Em 14/09/1814 comprou nos campos de Araraquara, então distrito da freguesia de Piracicaba, a sesmaria do Monjolinho, na qual fez uma fazenda de criação. Vergueiro estabeleceu uma sociedade agrícola com o brigadeiro Luiz Antonio em 1816, entrando para esta com o engenho do Limoeiro, a sesmaria do Monjolinho e outros bens. 

	O brigadeiro forneceu os recursos para a aquisição dos sítios do Taquaral e do Monte Alegre, no distrito da Vila da Constituição, onde Vergueiro fixou residência. Em 1818 Vergueiro e Sousa compraram terras com benfeitorias no Pau Queimado. Em 1819 o brigadeiro faleceu e Vergueiro continuou a dirigir a sociedade, dissolvida após o casamento da viúva de Luiz Antonio de Sousa com José da Costa Carvalho. Este ultimo ficou com o Monte Alegre, Taquaral e Limoeiro, e Vergueiro com o engenho Ibicaba e as terras do Tatu igualmente pertencentes ao engenho. Forjaz, principal fonte das informações aqui contidas, diz que “Vergueiro nessa ocasião gozava de grande influencia na zona compreendendo os municípios de Campinas, Piracicaba, Itu, Porto Feliz, Limeira, Rio Claro, Araraquara. 

	Conquistara-a pelos conhecimentos agrícolas, pelas idéias adiantadas, pelo espírito liberal e pelo esforço em promover a fartura de estradas de rodagem, a fim de se facilitarem as comunicações com aquele povoado”. A ligação de Piracicaba com Vergueiro, começa antes de sua vinda para aqui residir, em casa na esquina da atual rua Moraes Barros com o atual Largo da Catedral, local que, durante longos anos, foi ocupado pelo Hotel Central. 

	Datam outubro de 1808 as primeiras providencias para a concretização do plano de arruamento de Piracicaba, compreendendo “cinco ruas, outras tantas travessas, pátio para a igreja e largo para a cadeia”, a partir de um plano elaborado por Vergueiro e concretizado pelo Alferes José Caetano Rosa. Morador de Piracicaba durante cerca de dez anos, transferiu-se a seguir para sua fazenda Ibicaba. 

	Tomou parte ativa no governo provisório de São Paulo em 1821, sendo eleito deputado a Constituinte Portuguesa. De volta ao Brasil, elegeram-no, em 1823, membro da Constituinte Brasileira. Em 1826 foi eleito deputado a Assembléia Geral Legislativa pelas províncias de São Paulo e Minas Gerais e em 10/05/1828 tornou-se senador por esta ultima. Participe importante dos acontecimentos que precederam a abdicação de d. Pedro I, após a ocorrência desta passou a fazer parte da regência Trina provisória, que governou o Brasil de 07/04 a 17/06/1831. tornou-se ministro do Império em 1832 e em 1840 sustentou no senado o projeto em favor da declaração da maioridade de d. Pedro II, não obstante este ter apenas 15 anos de idade. De 1837 a 1842 dirigiu a faculdade de direito paulistana e em 1847 foi ministro da justiça. 

	Em sua fazenda Ibicaba, “aconteceu o primeiro ensaio migratório no Brasil imperial, totalmente financiado pela iniciativa privada... Este ensaio foi protagonizado, criado e executado unicamente pelo senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro... a Fazenda Ibicaba é a célula-mater da imigração particular... Vergueiro dói o grande líder desse movimento da colonização desse pedaço aqui”, segundo J. E. Heflinger Junior, autor de livro a respeito de Ibicaba. Segundo Guerrini, Vergueiro foi um “dos grandes latifundarios de Piracicaba, talvez o introdutor da agricultura metodizada em nossa terra”. 

	A despeito disto, nunca se conformou com o regime de trabalho escravo. Em 1831 apoiou o projeto que declarava livre todos os escravos entrados no pais a partir daquele ano. Graças a ele cerca de 3 mil colonos entraram no pais a partir de 1831, para trabalhar na lavoura em regime de parceria. Parece que suas iniciativas não tiveram o êxito que esperava, por causa da inadaptação dos colonos que , de modo geral, nos países de origem eram trabalhadores urbanos, segundo Forjaz. Vergueiro foi, nas palavras de Sisson, escritas em 1859, um “cidadão probo e honesto, estadista integro, representante fiel de um partido que se ufana de o ter por decano”. 

	A rua do Vergueiro em Piracicaba tem esse nome em homenagem a ele.